Suspiro

Ah, o suspiro! Aquele doce inconfundível de uma imagem delicada e sutil, mas que nos inunda de forma bruta e intensa com sabor forte e nos confunde com essa mistura inigualável e antagônica de sensações. A sinestesia que só quem conhece é capaz de compreender. O cheiro inebriante que inunda nossas mentes e completam ainda mais o sabor único daquele doce que, depois de derreter na boca, faz escorrer aquele creme branco que traz uma nova textura ao coração. Os olhos, estes, chegam a doer de tanto serem revirados tamanha a invasão que o pequenino e leve doce é capaz: tão única, causa outro suspiro.

Passos para se deliciar com um suspiro:

  1. Olhe e enxergue-o como ele é: delicado, diferente e belo, muito belo. Observe e analise todas as suas formas, todas as suas curvas e procure aonde elas te levarão; encontre a conexão de todas elas e saiba que, sem uma, o suspiro não seria como é;
  2. Segure-o com a delicadeza de quem segura uma flor rara e preciosa: ele é frágil e quebra facilmente, tal qual um coração. Aprecie-o bem, gire-o em suas mãos e procure a melhor forma de começar a sentir o sabor – o cheiro açucarado já inunda sua mente;
  3. Aproxime seu nariz do doce e deixe que toda a suavidade do seu aroma chegue à sua mente e se espalhe criando uma camada fina e bela, como se cada célula do seu interior fosse fechada somente para isso, como pequenos diamantes – são, já, impenetráveis; é um véu fino e branco cobrindo você;
  4. E então, na melhor posição, você morde lenta e cuidadosamente – ele é frágil e delicado. E, de repente, aquele sabor único e inconfundível invade a sua boca, toma conta dos seus pensamentos, dos seus sentidos, e tudo o que você consegue pensar é em continuar sentindo aquele prazer único que se mistura com o cheiro ainda mais forte do que antes e é isso o que vocês faz: você continua, não para, mas não para mesmo, você come o susiro até chegar bem no meio, bem na parte que você sente aquele creme concentrado bem no centro do doce na sua boca, e é nessa hora que você revira os olhos e é ritmada pelas batidas do coração; batidas aceleradas que se misturam a suspiros e formam a mais inigualável melodia. A melodia mais inebriante de todas.

E aí,

Ah! O suspiro.

(Luciana Cafasso)

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