Voz e Violão

Era uma tarde quente e ensolarada na cidade do interior do Rio. E ali, além de nós, havia ele e ela. Ela, de cabelo esvoaçante, de nome dançante e de voz cantante. Ele, era o cara de um som. O boy de um som.

O cara de um som manejava o violão tocando o que pediam, sorrisiava e fazia sorrisiarem. Entre flautas e tons, ele só queria ela. E ela, rindo e brincando, cada passo em uma dança, um forró. Ela apenas sorria de volta. E, de repente, aconteceu. Eles trocaram aquele olhar. Era o olhar apaixonado de quem se diverte na paixão. De quem se diverte até nas brigas, que vê graça e que ri da desgraça que passou. E com a voz de quem não conta tudo isso; a voz de quem canta tudo isso.

E eles viam juntos. E ela compunha. Mas, não para ele. Ela era da voz:

não consigo escrever uma música para o cara do som; é muito sentimento e faltam palavras.

Ah, se ela soubesse o que fazem as palavras. Ela escreveria para ele e colocaria melodia depois. Se as palavras não a suprem, não há o que a melodia não faça. Vocês lembram dele? O cara de um som? Compõe com ele, vocês são composição.

Mas, sim, às vezes, as palavras, elas se escondem mesmo; elas se escondem em sentimentos. E, aí, é só o desalento. Não para ela, aí jamais, como poderia, enquanto olha pro rapaz? E ele olhava de volta, não era tão das palavras, o tal do cara do som, proferia em notas tocadas.

Sabe o que neles, já não se faltava? Histórias. Histórias de dias seguintes de brigas e de compreensão. De acordos que só aconteciam entre eles, pois só aquele olhar entre os dois era capaz de guardar é preservar. E era um olhar frequente. Que despertava nela o tal do sorriso. Nele, despertava um risinho tímido e debochado de quem sabe o que ela quer dizer.

(…) a gente brigava comendo pizza…

E, assim, eles seguiram esse samba. Sempre forrozeando e rindo, brincando. Ele tocava o violão para ela cantar alto, cantar firme. Cantar, nem que fosse desajeitada. E dançar, entre olhares trocados e tons tocados, nunca em desalinho. Até mesmo porque é em Natal, na estrada, com Minas no caminho, vão os dois absortos e nunca sozinhos. Numa tarde no Rio, bagunçam o lençol, eles contam, recantam sem, de nós, qualquer dó

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